José Cordeiro

1 – José Cordeiro, você aqui no Ceará é sempre visto usando as camisas da Só mais 1K. Você é um dos idealizadores da equipe?

Sim, faço parte da turma que se conheceram pelo Instagram e em seguida resolveram montar um grupo de whatsapp para se encontrar na São Silvestre de 2014. Por falta de programação não consegui participar em 2014, mas continuamos com o grupo e com um tempo sentimos a necessidade de dar um nome à turma e assim surgiu a SÓ MAIS 1K.

Sempre em consenso com todos escolhemos o nome, layout e cores da equipe, resolvemos fazer as blusas e muitos amigos compraram a ideia. Com algum tempo já tínhamos representantes em diversas partes do Brasil.

Em 2015, com tudo resolvido e programado, consegui participar da São Silvestre com toda a equipe que me prestou um grande apoio em São Paulo. Correr com essa turma na última prova do ano realmente foi indescritível.

Equipe Só mais 1K reunida na São Silvestre de 2015

2 – O que ou quem te motivou a ser um corredor de rua?

A corrida veio como uma consequência quando estava participando de um projeto em Fortaleza e estava pesando cerca de 120 kg.

Entrei em uma academia e meu horário de treinos era na hora do almoço, sempre começava com aquele velho aquecimento na esteira durante a semana, aos sábados quando era necessário ir ao projeto fazia meu treino totalmente na esteira correndo cerca de uma hora.

Consegui emagrecer por volta de 28 kg e quando voltei a trabalha em Cascavel não me adaptei as academias daqui, sendo assim os treinos de corrida nas ruas e nas praias foram aumentando assim como o gosto por esse novo esporte.

3 – José Cordeiro, quanto tempo que você tem de corrida de rua e tem noção de quantas provas já participou?

Minha primeira corrida foi a CORRIDA DA INFANTARIA em 2013. Então vou completar 6 anos de correria no mês de Maio.

De lá até hoje participei de 204 provas que podem ser conferidas no meu Instaram (@josehcordeiro).  Uso essa rede social para falar de todas as provas cronologicamente, apontando os pontos negativos, positivos e comentando sobre meu humilde ponto de vista o que aconteceu em cada evento.

4 – Qual foi a prova mais difícil que você já participou ao longo de sua jornada?

Sem dúvidas foram os 30k do Cascatrail, pois pela primeira vez eu estaria ultrapassando a barreira dos 25k, que foi a distância maior que eu tinha percorrido até aquele momento, e também por ser uma das três provas que eu tinha como objetivo completar, pois eu não tinha feito elas como eu desejava em 2017 e finalizar em 2018 era questão de honra.

Por ser uma prova trail e ter suas particularidades que eu não sou tão acostumado, com certeza foi a mais difícil até hoje mais em compensação com certeza uma das mais especiais. Os primeiros 30k nós nunca esquecemos.

5 – Qual foi o percurso mais desafiador pra você, os primeiros 21 km ou os 30 km do Cascatrail?

Cascatrail foi o mais difícil, mas o mais desafiador com certeza foram os meus primeiros 21k no 5º Circuito de Corridas Pague Menos em 2014.

Vinha me preparando por um bom tempo para encarar esses primeiros 21k e por minha total irresponsabilidade me lesionei em um longo de 18k faltando cerca de 15 dias para a prova e isso foi simplesmente frustrante.

Passei esse tempo todo sem treinar e quando chega à noite antes da prova decido ir para o evento somente para fazer a caminhada com minha esposa, pegar minha medalha e aproveitar o pós prova, mas para acabar meu sofrimento logo, resolvi largar mais cedo com o pessoal dos 21k, que eu regularmente estava inscrito.

Comecei a trotar e logo vi as placas “Caminhada volta / 5k segue em frente”, passadas mais a frente tinha outra “5k volta / 10k segue”, como o corpo estava quente resolvi seguir em frente e fazer os 10k… Chegando na placa “10k volta/ 21k segue” eu me perguntei… E agora José? No mesmo momento veio à voz na minha mente.. “É AGORA OU NUNCA” e segui para os 21k.

Quem corre por aqui sabe que quase sempre nos circuitos de 21k passamos pelo moinho e a volta de lá para o aterro foi muito desgastante

Primeiro senti cãibras nas duas panturrilha, em seguida nos posteriores das coxas e para finalizar eu nunca tinha ouvido falar em cãibra nesse local, mas senti nos dois antebraços e aquilo me assustou bastante, parecia um zumbi todo torto alternando caminhada e corrida pela Beira Mar, mas em nenhum momento me passou pela cabeça desistir.

Devido à lesão, a falta de treinos antes da prova e as cãibras por quase 5 km me incomodando, essa foi com certeza a prova mais desafiadora e recompensadora que completei.

6 – José Cordeiro, sabemos que cada pessoa tem um jeito de enfrentar longas distâncias, mas pra você, o que mais afeta acima de 21 km, o clima ou pensar no quanto falta? E o oposto? O que te motiva a ir além dos 21 km?

Na minha opinião o clima é um fator muito importante, apesar de correr bastante em um dos locais que parece ser verão o ano todo que é o nosso Ceará, o sol é bastante determinante e atrapalha muito para mim.

Tendo em vista a melhor meia que fiz foi realizada em Florianópolis, onde eu não tinha a menor ideia de como seria o percurso, mas devido ao clima de 12 graus eu corri muito bem para meus parâmetros, terminei a prova super inteiro e se tivesse mais uns 10k para fazer eu toparia na hora.

O que me motiva a ir mais além dessa distância é simplesmente me desafiar e ver que sou capaz de sempre encarar novas distâncias. É uma coisa para mim, não para mostrar que sou melhor, mais rápido ou corro por mais tempo que Fulano ou Sicrano. É uma coisa comigo, pessoal mesmo… Gosto muito de olhar o porta medalhas e lembrar do que aconteceu principalmente vendo as conquistas das provas mais distantes.

7 – Você tem alguma corrida, nacional ou internacional, que ainda não participou e que desejaria participar? Qual seria pra você, a corrida dos seus sonhos?

Temos muitas corridas boas pelo Brasil, quando me inscrevo em alguma em outro estado aproveito para turistar com minha esposa. Uma que pretendo ir e gostaria muito que ela participasse pelo menos em uma distância menor é a Meia Maratona das Cataratas em Foz do Iguaçu, não vejo muito falar dessa prova, mas creio que seria uma ótima oportunidade para correr em um lugar novo, com um visual muito maneiro e depois aproveitar para turistar.

8 – Que prova do ano você não mede esforços para não perder? E por quais motivos?

Sem duvida alguma é a prova da Pague Menos. Não pelo super kit que ao longo dos anos vem ficando menor, mas sim pelo que ela representa na minha história de corredor. Ela foi minha quinta corrida de rua e nessa ocasião foi onde completei também meus primeiro 10 km e no ano seguinte fiz minha estreia nos 21k como informei na outra pergunta.

Tenho um carinho especial por ela. Até hoje tenho as blusas de todas as edições e quando dou aquela geral nas blusas para doação elas sempre voltam para o guarda roupa. Sou um daqueles malucos que ainda ficam na frente do computador esperando o segundo exato que as inscrições abrem para garantir a minha, mesmo sabendo que hoje em dia a galera não está tão louca por essa prova como era há uns anos atrás, mas vai que as coisas mudam não é mesmo? Por isso já garanto logo (risos).

9 – José Cordeiro você atualmente prefere um bom treino pago ou uma boa corrida com um preço acessível?

Bom… O ideal para mim é que sempre ocorresse os dois.

Que esses tipos de treinos crescessem ainda mais, pois o clima é sempre muito bom aconchegante e você senti mais o calor humano, principalmente quando se trata de treinos beneficentes.

Quanto a corridas com preços acessíveis também é muito bom desde que ela entregue o que foi prometido. Temos muitas corridas boas e com valores acessíveis aqui no Ceará, muitas delas fora do eixo de Fortaleza com um custo bem bacana e que não nos deixa faltar nada.

Uma ótima opção e que na minha opinião todas as provas deveriam adotar é a questão de disponibilizar os kits simples com apenas número de peito e chip mesmo que fosse em quantidade limitada.

Eu sei que é maneiro você ter a camisa do evento, eu, por exemplo, como falei guardo as que julgo mais importante como as da Pague Menos, mas a situação que vivemos hoje em termos financeiros não é fácil para ninguém e poder economizar hoje para conseguir correr no próximo final de semana é necessário não só para mim, mas creio que para a grande maioria dos amantes da corrida de rua.

José Cordeiro no Treino Corre Ceará 2 anos | Foto Tiago Sousa

10 – Qual o fator determinante que faz você escolher uma prova para participar, (levando em consideração o seu gasto que provavelmente torna-se acima dos demais devido o local que mora ser bem distante das principais corridas)?

A questão do gasto realmente é muito elevado para mim que praticamente percorro cerca de 130 km entre idas e vindas a Fortaleza em dias de prova.

Hoje em dia graças a muitos amigos que fiz durante esse tempo de corrida, a retirada de kits já é bem mais tranquila que antes, pois sempre posso contar com a ajuda dos parceiros como o João e a Nayane aqui do Corre Ceará que sempre se disponibilizaram para efetuar a retirada não só dos meus mais de diversos amigos que correm comigo e isso já é uma tremenda ajuda evitando mais um gasto.

Por muitas vezes o pessoal já sabe que vou para as provas e me procuram para aquela velha e boa carona… No final eles colaboram com alguma quantia e assim vamos diminuindo um pouco os gastos… Por outras vezes vou revezando os carros com os amigos e assim vamos nos ajudamos.

Quando temos duas provas ou treinos no mesmo dia procuro me inscrever no evento mais próximo de casa. Mas creio que o fator determinante que me faz ir para as provas é poder sentir essa vibe boa que nós corredores sempre sentimos antes, durante e depois das corridas… Encontrar os amigos, descarregar o stress da semana nas pistas independente de onde for, com kit bom ou não, sempre fez com que eu não medisse esforços para me inscrever.

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