Álvaro Timbó

Caro Álvaro Timbó, antes de tudo você pode nos falar os detalhes de como será o Desafio 100K Canindé, sobre apoio e segurança. (Muitos interessados em fazer este desafio em 2019).

O Desafio 100K de Canindé caminha para sua 3ª edição. Tenho esse desafio como a porta de entrada para a ultramaratona, pois temos uma distância clássica, staff individual obrigatório e, pontos de check-in de 15 em 15km que facilitam a vida dos atletas e staffs. A segurança fica por conta de dois Moto-resgate que ficam rondando dos primeiros aos últimos colocados. A edição de 2019 vem com algumas novidades, basta acessar nosso site na parte “inscrição” e acompanhar tudo!

Álvaro Timbó e amigos no Desafio 100K Canindé 2018
Atletas que encararam o Desafio 100K Canindé2018 – Foto Dudu Ruiz

https://desafio100kmcanind.wixsite.com/100kmcaninde/inscricoes

1 – Qual momento da sua vida atlética foi fundamental para você perceber que você saiu do amadorismo e passou a tratar de forma mais profissional as atividades de corrida? O que esse novo estilo de vida significa para você hoje?

Comecei a correr em 2013 pra perder peso, estava com 105kg na época e, acho que nunca saí do amadorismo, rsrsrs. O esporte pra mim é, e sempre será diversão, mas, em 2015, passei a correr mais regrado, sempre 2x na semana e 1 dia do final de semana (sábado ou domingo), dependendo das obrigações e programas com minha família. Acho que essa época, foi quando decidi que a corrida de rua seria meu esporte pra vida toda!

2 – Existe uma preparação especial para se tornar um ultramaratonista? Se sim, pode falar um pouco da sua planilha de treinos e volume.

Acho que a base é a parte fundamental na corrida. Existem varias etapas, etapas essas que todos passamos, o primeiro km correndo, os primeiros 2km e 3km e assim vai, até você estar apto a correr sua primeira corrida, os primeiros 5km.

Quando conclui seus primeiros 5km, você já logo se inscreve nos 10km? Não, você treina algumas vezes 5km, depois de ter segurança pra tentar 10km, você vai pra cima…Na ultramaratona também é assim, depois de chegar à última distância oficia (42.195m)e, permanecer nela por algumas vezes, caso goste da sensação, você busca algo maior que, geralmente são as provas de 50km. Comigo não foi diferente, em 2015, com uma planilha que baixei da internet (não recomendo isso, o correto é buscar um profissional da área),fiz minha primeira maratona, 3h59’ em Recife, a sensação foi tão boa que, de cara, já vi que correr longas distâncias era o que eu iria fazer.

Falando de planilha, hoje (últimos 2 meses) treino na MM team, “quer dizer que você passou todo esse tempo treinando sozinho?”, sim. Sempre treinei sozinho mas, estou gostando muito de treinar numa assessoria, sai de um volume de 130/140km, para 200/210km mês. Acho que, 2019 será um ano de evolução!

3 – Álvaro Timbó, como você consegue conciliar a vida de empresário e corredor, sem atrapalhar a sua vida particular?

Não sou “bitolado”, caso tenha treino terça a noite e, por algum motivo pessoal ou profissional, não consiga fazer… Simples, faço terça pela manhã ou, quarta pela manhã. Diferente do que vejo por aí, aqui não deixo a corrida dominar minha vida e, jamais deixarei de sair com minha esposa para treinar. Tento treinar entre 5 e 7h e, à noite, de 18h às 20h, assim não atrapalha em nada.

4 – Como você trabalha seu corpo para não sofrer uma hiponatremia? E o trabalho psicológico ajuda nessas provas longas?

Para a falta de sódio(hiponatremia), costumo usar as famosas “cápsulas de sal”, são praticas de carregar e atendem minhas necessidades. Só pra exemplificar a questão, em minha primeira maratona eu senti hiponatremia. Ao chegar à casa de meu amigo que eu estava hospedado, começaram os calafrios, foi fácil de resolver porque eu já sabia o que estava acontecendo, corri na cozinha e coloquei um pouco de sal na boca, em poucos minutos tudo voltou ao normal e, desde então as cápsulas de sal são minhas companheiras para provas e treinos acima de 21km.

Falando no psicológico, pra mim, ele é 40% nas provas de endurance e ultramaratonas. Eu talvez treine muito menos do que a maioria de seus amigos, mas, mesmo com um volume menor, consigo fazer provas de 12h e 100km tranquilamente. Resumindo: O psicológico ajuda muito.

5 – Álvaro Timbó, quais dicas você passa para quem já corre e pensa em correr longas distâncias e torna-se um ultramaratonista?

O que sempre falo é que todos conseguem, desde que condicione seu corpo e mente para aquilo. Eu era um gordinho de 105kg que sonhava em correr até o final da beira-mar(3km), hoje sou um ultramaratonista. Se eu consegui, você também consegue!

6 – Quais os objetivos para 2019? Se já tem, se não, qual a prova que você sonha em fazer?

A prova dos meus sonhos é a Comrades, a rainha das ultramaratonas. Não pela distância, pois só são 89km, mas pelo respeito e carinho que eles dão aos atletas.

Meu objetivo pra 2019 são 100 milhas. Como não tem nenhuma prova dessa distância no Ceará, eu e 2 ou 3 amigos faremos em forma de desafio. Largada no Aterro e chegada em Canoa Quebrada.

7 – Álvaro Timbó o que te levou a ser Ultramaratonista? Numa prova de 100 km, em média, a partir de qual km fica confortável? E em qual km o negocio começa a “pegar”?

O que me levou a entrar no endurance foi ter concluído com tranquilidade minha primeira maratona. Tanto que depois dela, minha primeira prova foram os 50k do Aquiraz. Uma prova duríssima com quase 70% de praia em sua primeira edição. E falando dos 100km, pra mim, começa a pegar depois dos 60k, até lá é tranquilidade.

8 – Existe um limite, desafio, distância no qual não faria, por quê?

Acho que não existe limites, vou continuar treinando para me desafiar, mais e mais. A ultramaratona é um caminho sem volta… Quando você menos espera, está achando o máximo a Barkley Marathon, rsrsrsrs.

9 – Quais dicas você pode nos dar para quem já corre meia maratona, mas almeja ser ultramaratonista (equipamentos e/ou treinamentos).

Acho a meia maratona uma distância muito interessante, fiz apenas 3x (oficialmente) antes de minha primeira maratona. Mas, só parti para a maratona quando comecei a fazer 21km tranquilo em treinos. A dica é, parta para a próxima distância, seja ela qual for, depois que estiver confortável correr a distância que corre. Isso também serve para um ultra, se já corre bem 50km, tente 70, 80km, e por aí vai.

10 – Quais as consequências psicológicas após uma ultra? É verdade que dá uma espécie de “depressão”?

Muito pelo contrário, um atleta de endurance, após uma prova muito longa, fica com a autoestima extremamente elevada. Você cria internamente um ar de vencedor, não pelo ego, mas pela motivação que sentimos ao cruzar a linha de chegada, mesmo em último colocado.

Ao contrário do que pensa, existem estudos sobre atletas com início de depressão que usaram a corrida como parte do tratamento. Já a corrida em si, longa ou curta, ter causado a depressão, desconheço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *