O Corre Ceará e o Pedale Ceará tiveram a honra que receber a história desta Aventura Fantástica realizada pelo grupo VELOK DA FRONTEIRA através do relato do participante Robson Maciel, ficamos muito felizes em termos a oportunidade de compartilhar com todos vocês.

O nome do grupo tem o seguinte sentido morfológico:
VELO: bicicleta em francês.
OYK: Oiapoque na linguagem crioula.
A equipe VELOYK DA FRONTEIRA foi criada por quatro mulheres ciclistas, sendo elas Maïtê Sallé, Cacau Vieira e as irmãs Gerriane e Gizelda Evangelista, em 2019.

É um grupo composto por homens, mulheres e crianças, que tem por objetivos a atividade física como forma de melhorar a saúde física, através do ciclismo, e mental, pela contemplação da natureza, bem como a interação social com outros grupos de ciclistas e as relações interpessoais entre as famílias dos próprios membros do grupo.
O último desafio do grupo foi o de Ciclismo de Aventura no trecho da BR 156 entre o município de Oiapoque e a capital de Estado do Amapá, Macapá.
O planejamento para esse “pedal longão” consistiu em meses de treinamento físico, dietas e preparação mental para enfrentar as dificuldades geográficas e climáticas, principalmente nos 110 quilômetros não asfaltados da BR 156.
O grupo composto pelas quatro fundadoras contou com a participação de três homens, sendo eles Márcio Silva, Robson Maciel e Raimundo Nonato, o Veron. Saíram às 02 da manhã do dia 02 de julho de 2021, do monumento “aqui começa o Brasil”, em Oiapoque.
O carro de apoio foi conduzido pelo esposo da atleta Gerriane, o Maurício, que teve o apoio moral do mascote Pini, cachorro da raça pincher que às vezes viajava na mochila nas costas de sua dona, Cacau Vieira.

No primeiro trecho, que compreende 155 km entre o município de Oiapoque e o distrito do Carnot, em Calçoene, foi onde encontraram maiores dificuldades, por se tratar de região montanhosa, 90 quilômetros sem asfalto, alguns pequenos atoleiros, outros trechos com muitas pedras depositadas em antigos atoleiros, chuvas intensas e animais peçonhentos que por ventura atravessaram a estrada.
Chegaram em Carnot às 18:30 hs, se alimentaram, conheceram um pouco da história do lugar, descansaram e partiram às 04 da manhã do dia 03 de julho com destino ao município de Amapá. Logo no início do percurso uma chuva torrencial dificultou ainda mais a aventura, pois com os óculos de segurança embassados não dá para visualizar direito os buracos na via e animais silvestre que a qualquer momento poderiam aparecer. Às 10:00 chegaram ao município de Calçoene.
Às 11:00 hs, sob forte chuva, saíram de Calçoene com destino ao município de Amapá, um dos municípios mais antigos do Estado, no qual chegaram às 14:30 hs.




Conheceram um pouco a história, os costumes e a culinária do local e às 03 da manhã do dia 04 de julho saíram para trecho mais longo, porém mais plano da aventura, entre os municípios de Amapá e Porto Grande. Desse trecho em diante tiveram o apoio de um segundo carro, conduzido por Jaiderson, esposo da atleta Maïtê e da filha do casal, a Jasmim. Foram 206 km de pedaladas em um único dia. Superação para todos da equipe.
Antes de chegarem a Porto Grande, pararam às 07:00 hs no município de tartarugalzinho para um café da manhã reforçado. Lá encontraram um grupo local de ciclistas, o “pangaré”. Às 08:30 sairam de tartarugalzinho e às 14:30 hs chegaram ao município de Ferreira Gomes para uma pausa para descansar, almoçar e relaxar num delicioso banho no Rio Araguari.
Às 16:30 hs saíram de Ferreira Gomes para os últimos 31 km até Porto Grande, município a 100 quilômetros de Macapá. Chegaram as 19:30 hs para pernoitar e aliviar a tensão do dia mais cansativo da aventura.
Após o café da manhã em restaurante às margens da rodovia, partiram às 05 da manhã do dia 05 de julho para os últimos 100 km da aventura. A ansiedade só aumentava.
Chegaram finalmente à Macapá às 11:00hs.
Exaustos, porém felizes.
O sentimento de gratidão era perceptível aos olhos.

Aprenderam várias lições durante o percurso, entre elas a de que é necessário respeitar a natureza, não jogar lixo nas margens da rodovia, que é necessário que o governo federal asfalte os 110 quilômetros que ainda faltam, que os motoristas de veículos devem respeitar os ciclistas e, principalmente, que sem amor ao esporte e sem respeito aos companheiros de equipe não se consegue concluir uma aventura como essa.

